segunda-feira, 16 de maio de 2011

Torre de Babel de Livros

Buenos Aires inaugura 'Torre de Babel' de livros

13 de maio de 2011 , por Márcia Carmo
A torre foi inaugurada nessa quinta (12). Foto: AP
Uma torre de 28 metros de altura, em formato de rampa circular, toda feita de aço e dezenas de milhares de livros livros, foi inaugurada na quarta-feira em Buenos Aires para marcar a gestão da cidade como Capital Mundial do livro de 2011, título designado pela Unesco.
A obra, batizada de Torre de Babel de Livros, é de autoria da artista plástica argentina Marta Minujín, que reuniu mais de 30 mil exemplares de 54 países, inclusive do Brasil, como informou a assessoria de imprensa do governo de Buenos Aires.
"É importante que todos venham, porque esta é uma obra de participação maciça", disse Minujín.
Para reunir tamanha quantidade de livros, ela contou com edições doadas pelas embaixadas e por moradores de Buenos Aires, que entregaram seus exemplares durante dois meses nas várias livrarias da cidade.
"A ideia foi transformar a torre num veículo da cultura, unificando o mundo através dos livros", afirmou a artista. Ela disse que a realização da obra foi como "um milagre" artístico que "entrará no imaginário coletivo".
Espiral
Minujín desenhou a maquete em formato de espiral, e a estrutura foi construída com ferros por operários financiados pela Secretaria de Cultura de Buenos Aires.
A Torre de Babel, instalada na Praça San Martín, no centro da cidade, pode ser percorrida por dentro até 27 de maio, quando será desmontada. Durante um tour guiado, os visitantes ouvem uma gravação com a palavra "livro" dita em vários idiomas. Após o passeio entre livros, eles recebem uma cópia do conto A biblioteca de Babel, do escritor argentino Jorge Luis Borges.
Para que a instalação não seja danificada, o governo decidiu organizar as visitas por grupos. Elas são gratuitas e agendadas no próprio local ou no site da prefeitura de Buenos Aires (http://www.capitaldellibro2011.gob.ar/torredebabel/).
A visitação está aberta ao público entre 10h e 22h - hora em que a torre fica completamente iluminada, mostrando o colorido das capas das diferentes edições. De acordo com o secretário de Cultura, Hernán Lombardi, a construção era um "sonho da artista", que começou a alimentar o projeto nos anos 1980.
Celebração das palavras
"Esta maravilhosa Torre de Babel de Livros ficará na memória de todos os portenhos e marcará como celebramos as palavras e as artes plásticas", disse Lombardi.
A coleção de livros reúne romances, contos, poesias, histórias e reportagens, entre outros. Segundo a Embaixada do Brasil, foram doados 200 livros brasileiros.
Antes da mostra, o governo da cidade realizou um inventário dos exemplares que compõem a obra e plastificou um por um, para protegê-los durante a exposição.
Quando a mostra terminar e depois que parte dos livros for entregue aos visitantes, os exemplares restantes serão levados para uma biblioteca portenha para compor o acervo da Primeira Biblioteca Multilíngue da Cidade de Buenos Aires.

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sábado, 7 de maio de 2011

Papel da escola na contemporaneidade

Professor Ruy Coelho 

Diante das constantes mudanças ocorridas na sociedade é pertinente refletirmos sobre a organização do espaço escolar dentro de uma “sociedade técnica/científico-informal” (LIBÂNEO, 2001, p. 40), um espaço escolar, capaz de fazer frente a essas inovações na sociedade capitalista (neoliberal) que conseqüentemente modificam as relações entre as pessoas, tornando-as mais estimuladas a competir entre si mesmas. O neoliberalismo: “prega o individualismo e a naturalização da exclusão social, considerando como sacrifício inevitável no processo de modernização e globalização da sociedade” (LIBÂNEO, 2001, p. 39).
A ótica neoliberal impulsiona os indivíduos a darem o máximo de si mesmo para conseguirem sair da margem do contexto social dos excluídos, e serem inseridos num ambiente que para eles é mais cômodo, mesmo que o custo dessa transposição seja a exploração de sua mão-de-obra e de “quem cumpre seu dever (...), quem trabalha com a força e energia de maneira responsável (...) ocupando sem reclamar, seu lugar na pirâmide social” (GANDIN, 1994, p.14).
Outro aspecto que merece destaque é a revolução informacional, que visa a expansão e apropriação de aspectos culturais e informacionais, que de forma minuciosa (re) modifica o contexto de relação entre famílias-famílias, indivíduos-indivíduos, educando(a)-escola, indivíduo-sociedade, deixando-os serem domesticados pelas informações midiáticas.

(...) A informação é necessária, mas ela vem exercendo um domínio cada vez mais forte sobre as pessoas, cada vez mais escravizadas por ela. Informação não é sinônimo do conhecimento, por si só ela não propicia o saber. A informação é um caminho de acesso ao conhecimento (...), mas ela precisa ser analisada e interpretada pelo conhecimento, que possibilita a filtragem e a crítica da informação de modo que ela não exerça o domínio sobre a consciência e a ação das pessoas (LIBÂNEO, 2001, p. 37).

Neste contexto social, informacional, devemos estar preparados para depurar as informações que chegam até nós de forma que possamos extrair destas suas peculiaridades significativas para a vida social. Mas, o que a organização do espaço escolar tem haver com essas mudanças ocorridas na sociedade?
Se olharmos nas “entrelinhas”, transcendemos às afirmações de Libâneo (2001), e encontraremos a resposta ao nosso questionamento, visto que elas nos remetem ao campo educacional, que por sua vez tem um papel de grande influência na construção de um indivíduo capaz de agir-refletir-agir sobre essa “nova” sociedade, na construção e articulação de sua própria história, como sujeito e não como mero expectador . Uma escola que eduque para o exercício da cidadania, que vise à transformação.
Neste sentido temos que questionar, discutir, (re)dimensionar a escola pensada, baseada no modelo neoliberal que visa uma educação padronizada, que atenda os interesses daqueles que detêm o poder, que valoriza o individualismo para ascensão do todo no mundo globalizado, uma educação que esteja a par de seus ideais sócio-político, cultural, econômico... Uma educação que mantenha o status quo dos que agem com preponderância sobre as demais pessoas, ou grupos sociais, e a permanência daqueles que estão excluídos das decisões políticas, econômicas,... da sociedade do lugar que segundo a ótica neoliberal não devem sair, mas que detêm sua função no contexto da sociedade.

(...) a escola (...) definida pela perspectiva neoliberal, considera a desigualdade um valor positivo e natural. O mérito individual dos melhores estimula a competição e a concorrência necessária para a prosperidade de todos (...) trabalha com conhecimento padronizado, a partir da ótica dos interesses sociais dos grupos dominantes (...) (KRUG e AZEVEDO, 2000, p.11).

Na educação padronizada, temos como exemplo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN`s) que foram criados a partir de uma realidade específica, mas enviados a todos os municípios do Brasil, a todas as escolas, as quais deveriam seguir, para delinear suas ações, os ideais contidos nestes “manuais”. Aos municípios cabia proporcionar ações pedagógicas que envolvessem as escolas, para que pudessem familiarizar-se com os PCN`s. Assim, ofereceram “treinamentos” para a coordenação pedagógica, para estes irem “treinar” os demais professores, como se fossem animais.
Os PCN`s são a presença viva da padronização da educação a nível curricular e de formação (no caso treinamento) para realidades diversificadas, uma educação que compartilha os ideais neoliberais e não os ideais e as necessidades de cada escola.
Não podemos fingir, nem negar que estamos inseridos numa sociedade neoliberal, individualista, excludente... e que a escola faz parte deste contexto, e que por vez é pensada verticalmente para buscar reproduzir as ações que justifiquem as diferenças sociais existentes na sociedade. No entanto, também sabemos que a escola que queremos, não deve ser reprodutora, mas sim uma escola sedimentada nas ações coletivas-individuais dentro dos princípios democráticos, que construa conhecimento crítico, reflexivo, que faça frente às imposições advindas do topo da pirâmide social. Para tanto, deve ser uma “escola cidadã”, compromissada com as classes menos favorecidas, que faça uma leitura de mundo e propicie mecanismos facilitadores para professores, alunos, pais... para que possam coletivamente edificar uma educação que esteja voltada para a construção de uma sociedade mais solidária e humana.
Diante do contexto atual da sociedade, a educação cidadã, defendida por muitos teóricos, dos quais podemos citar Paulo Freire (1996), para buscar construir uma educação que

(...) alinhe com os interesses e os processos sociais dos grupos subalternos. É uma educação que promove o desenvolvimento dos sujeitos pedagógicos com melhores capacidades para analisar criticamente a realidade e transformá-la (...) É uma educação que se alimenta na rica experiência da educação popular, mas reinventada constantemente para adaptá-la aos novos desafios (SCHUNGURENSKY, 2000, p.190).

A educação cidadã, na perspectiva da escola cidadã , busca reinventar o processo educacional de forma que busque maior proximidade daqueles que fazem parte dela, proporcionando reflexões-ações sobre sua condição no mundo globalizado.
Pensar a escola na perspectiva da escola cidadã, sobre um novo enfoque, político, filosófico, democrático... submete uma ruptura com a prática educativa da educação tradicional, bancária, transmissora de conhecimentos, autoritária... Assim devemos pensar em uma escola que valorize os conhecimentos assistemáticos de seus educandos(as), que tenha por pressuposto “que ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 2003, p. 47).
No entanto para que a educação escolar possa corroborar com essas perspectivas é necessário que ocorra transformações fora e no interior das escolas no que concerne a gestão, autonomia, participação,... os quais são essenciais ao Projeto Político - Pedagógico.
As transformações “fora” do ambiente escolar que acima citamos, estão relacionadas às instâncias superiores que “coordenam” a educação a nível de políticas públicas voltadas para ações que convalidem as propostas educacionais almejadas pela escola cidadã e as contribuições das instâncias para propiciar um ambiente favorável a construção do conhecimento.
É conveniente salientarmos que o poder público deveria assumir o compromisso com a educação de qualidade, mas não da qualidade total enfatizada pelo neoliberalismo, mas a qualidade social, que é para todos e este não pode abstrair-se de sua função. Tão pouco a escola deve chamar para si toda a responsabilidade pela educação. Assim ambos, a escola e o órgão que a coordena, devem unir forças para atingir a plenitude de uma educação de qualidade para todos, alicerçada nos princípios da escola cidadã. “(...) a política pública pode converte-se em um elemento dinamizador da escola cidadã (...) educação cidadã e política-pública podem retro-alimentar-se mutuamente” (SCHUNGURENSKY, 2000, p. 191).
Essa relação não antagônica entre a instituição escolar a nível de políticas públicas tem uma dimensão relevante no contexto educacional contemporâneo, pois ambos assumem a responsabilidade da educação para o seu povo, e com qualidade.
Mudar a forma de organização que a escola se utiliza requer mudanças “radicais” na sua forma de pensar, organizar, em fim, mudar de forma global. Essa escola não pode ser pensada de cima para baixo, mas sim deve ser a representação “viva” das necessidades, inquietudes, utopias... da própria escola, daqueles que a constituem, para que se possa, repito, fazer frente às contínuas mudanças ocorridas na sociedade atual, partindo do “saber fundamental: mudar é difícil, mas é possível” (FREIRE, 2003, p. 79).

fonte: http://www.artigos.com/artigos/humanas/educacao/papel-da-escola-na-contemporaneidade-4799/artigo/